domingo, fevereiro 19, 2006

Trois Gymnopèdies II

Essa música me passa uma serenidade de uma tarde de verão... é como se ouvisse os sons da floresta, entrecortados pelo sons das águas do riacho, que corre como a tarde, sereno como a orquestra sinfonica dos pássaros, os assovios dos ventos pelas árvores, o rolar das águas nos seixos lisos como gemas.
Se na minha vida não existisse o pesar, se o meu corpo fosse leve como uma folha que caiu no rio, se a minha voz fosse estridente como um passaro gorjeando de alegria, talvez eu não suportasse tamanha felicidade, morreria, mas com um sorriso sereno nos lábios!
O sol queima devagarzinho a pele que pede mais calor, a água refresca os pés cansados e rachados pelo caminhar da vida, o vento passa e levanta a poeira, confunde os nossos olhos e passa como num vulto, a terra firme forma a base do caminho que teremos que trilhar até a mais alta montanha, chegar lá, e quem sabe, ver a face do Criador, entender ao mesmo tempo, quão grande é a estrada que nos intercala, entender que somos pequenos demais, infinitamente minúsculos, que o mundo é um lugar excepcional, grande em proporções e generosidade, um lugar lindo e maravilhoso, onde tudo tem o seu sentido e o seu dever, tudo é programado para enobrecer a vida, até mesmo o fogo que destrói, mas que desperta a vida nas árvores que depende dele para florescer!
Ainda bem que tudo é bem real e os sentimentos são verdadeiros, a música toca, o sol queima, o rio corre, o pássaro canta, o poeta declama, o vento agita os cabelos da menina e sustenta a pipa no céu, o romanzeiro floresce, e os meu olhos podem ver tudo isso, sou tetemunho ocular da simplicidade da vida por um instante...

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